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Juliana Stark

O que está no seu currículo?E fora dele?

Dedico grande parte do meu tempo a ensinar e ajudar. Para isso preciso estar muito atenta a tudo. Me interesso bastante em acompanhar cases de sucesso em qualquer área. Leio livros, assisto vídeos, filmes, qualquer coisa que me faça refletir sobre carreiras.

O profissional do futuro

Em um dos meus momentos de estudos, me deparei com um vídeo no Youtube que adorei. Michelle Schneider falando sobre o profissional do futuro no TED.

Bom, não vou contar tudo aqui, afinal são quase 20 minutos de vídeo e acho que vale cada segundo de atenção.

Eu não conhecia o trabalho da Michelle. Ela se apresenta como uma pessoa que trabalha no Linkedin e por ironia do destino conhece Alexandre Hohagen, o cara que trouxe facebook e google para o Brasil, por acaso dentro do avião.

Conversaram de tudo um pouco e ela não se aquietou enquanto não fez uma pergunta que pudesse contribuir para sua vida profissional. Então tomou coragem e perguntou a ele:

“O que você olha antes de contratar alguém?”

Ele disse que olhava muito quem era aquela pessoa fora do ambiente de trabalho. Ela disse que no Linkedin, eles têm uma dinâmica parecida. Todo mês acontece uma reunião interna e os novatos têm que ir na frente e dizer o que não está no perfil do linkedin deles…é uma maneira parecida de descobrir essa habilidade.

Nossa…como isso mexeu comigo! É verdade…como o lado B das pessoas é interessante. Adoro saber. Sempre vejo um profissional super bem sucedido e penso…o que será que ele faz nas horas vagas? Será que ele tem um hobby? Adoro imaginar isso.

E muito rapidamente fui vasculhar a vida da Michelle.

Olhe o que eu achei:

14 anos de experiência nas áreas de Vendas, Marketing e Recrutamento em empresas de médio e grande porte. Atualmente é responsável pelas verticais de Serviços Financeiros, Saúde e Educação da área de Soluções de Marketing no LinkedIn, a maior rede de profissionais da internet.
Especialidades: Relacionamento com Cliente, Desenvolvimento de Negócios, Venda B2B, Venda de Mídias Sociais, Gestão de Equipe, Start-up, Inovação.
Experiência internacional, DJ profissional e maratonista.

Pronto. Virei fã.

Ah! O profissional do futuro? Segundo ela, o profissional precisará ir muito além das habilidades técnicas. Ele vai precisar ter habilidades comportamentais. Acho que isso até dá uma outra conversa!

O currículo de um arquiteto e um designer de interiores

Sempre falo pros meus alunos da importância de um bom currículo e principalmente de um portfólio. Arquitetos e designers precisam mostrar trabalhos. É assim que conseguimos clientes e empregos. Sabe aquele trabalho de faculdade bacana? Então! É assim mesmo que a gente começa. Faça bem feito, com vontade, dedicação e coloque no seu portfólio. É no portfólio que você mostra tudo que domina: softwares, detalhamento, executivo, escrita, apresentação, composição…

Agora, o que me fascinou aqui é que a Michelle está falando das atividades extracurriculares. E isso faz muito sentido. Talvez sejam elas que mostrem quem você realmente é…

Por exemplo não consigo imaginar um atleta, mesmo amador que não seja disciplinado. A pessoa tem foco. Gosta de sair da zona de conforto. Muitas vezes nem é competitivo. Ele compete com ele mesmo. Apenas quer ser cada dia melhor…uau! Quando paro para pensar e escrever isso me da um orgulho danado de mim mesma. Apesar da rotina intensa, não abro mão das minhas corridas. Me desafio semanalmente. Crio um foco, um objetivo e vou.

E você? O que você faz que não está no seu currículo?

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Juliana Stark

Quem está a frente da Escola Desenhar?

Olá. Meu nome é Juliana e hoje me apresento para vocês. Eu sempre gostei de conhecer as pessoas que estão a frente das empresas. Então posso te contar uma história? Sempre falo isso pros meus alunos no primeiro dia de aula. Gosto de contar a minha história pra quebrar o gelo. Pode ser que ela te ajude de alguma forma. Você que está pensando em estudar arquitetura, ou você que já está cursando arquitetura ou mesmo você que já está no mercado, pode se identificar, inspirar ou perceber caminhos que não quer trilhar de jeito nenhum. Fiquem tranquilos será uma versão pocket, é rapidinho.

Minha escolha pela arquitetura

Acredito que tive sorte. É… porque escolher uma profissão com 16 ou 17 anos e acertar deve ser sorte, só pode ser. Será que temos maturidade suficiente para isso? Bom, mas essa é uma outra história. Nosso papo aqui é outro, uma vez escolhido, o que devo fazer?

Desde pequena gostei de casas. Meu programa predileto de final de semana era pedir pro meu pai me levar no bairro Mangabeiras aqui em BH para eu ficar vendo e sonhando com as casas…

Brincar de boneca? Adorava! Não pelas bonecas mas pela casa que eu criava para elas. Cada dia de um jeito. Já dormia pensando nas mudanças que faria no dia seguinte. E assim me divertia.

Não acho que todo mundo dá sinais na infância da profissão que vai seguir…de jeito nenhum. Mas é que comigo realmente aconteceu isso. Mas por incrível que pareça eu nem falava na profissão.

Anos depois, eu estava com 15 anos e queria muito ir a uma festa. Meu pai falou que era longe, difícil, perigoso me buscar lá de madrugada…aquelas coisas…

Rapidamente fiz um mapa para ele, explicando como chegar. Meu pai abriu um sorriso quando viu o mapa e naquele dia foi a primeira vez que tocamos nas palavras arquitetura e urbanismo.

Escolha feita.

Meu curso

Foram 5 anos intensos. Claro! Quem me conhece sabe que se não for pra ser intenso eu nem vou.

Sempre fui tranquila feito furacão. Já no terceiro período comecei a fazer estágios. Foquei em design de interiores que sempre foi minha grande paixão. Mas uma faculdade e um estágio era pouco pra mim. Sempre ligada no 220v, no meio do curso resolvi encarar o curso de Decoração na UEMG. Dessa forma, me aventurava em dois cursos superiores durante o dia e estagio a noite. Sim! À noite! Em uma escola de AutoCAD. AutoCAD era super novidade na época.

Ainda como estudante me tornei instrutora de Cad dentro da Escola de Arquitetura e lá fiquei por anos ensinando e preparando os novos arquitetos.

No último ano do curso, quando bate aquele aperto, medo e frio na barriga, resolvi dar uma desacelerada. Sei que fui privilegiada, mas meu esforço e dedicação me deram uma oportunidade que agradeço todos os dias até hoje. Tranquei matrícula na faculdade, preparei a mochila e parti para Milão. Fiz um curso de Design de Interiores e Iluminação, e depois História da Arte. Finalizada minha temporada bateu desespero de voltar e arrumei a mochila novamente. Fui para Londres. Sobrevivi trabalhando de garçonete enquanto desenvolvia meu inglês.

Meses de muita experiência e aprendizado. Finalizada a curva que criei pro meu caminho, voltei e encarei o TFG (trabalho final de graduação).

 Enfim arquiteta

Feliz? Não! Apavorada. Não tinha dinheiro nenhum. Estava disposta a qualquer emprego, mesmo se não fosse na área. Hora de colocar o networking para agir. Liguei para o Gustavo Greco, que na época era um designer foda e hoje eu não tenho nem adjetivo para descrevê-lo. O cara hoje é uma das principais referências do design no mundo. Bom, pedi para o Gustavo usar o networking dele e me arrumar um emprego. BINGO! Deu certo. Trabalhei dois anos na loja de móveis mais chique de BH. TETUM. Foi lá que aprendi muito do que sei hoje. Tanto na vida profissional quanto pessoal.

Depois disso trabalhei em marcenaria, aprendi no chão de fábrica sobre execução de mobiliário. E durante todo o tempo dando aulas de AutoCAD a noite na Escola de Arquitetura.

Me estabilizei. Ganhei o dinheiro que precisava naquele momento e criei coragem e asas. De lá pra cá muita coisa aconteceu. Era hora de empreender.

Eu hoje

Com mais de 15 anos de formada, posso dizer que estou bem feliz. Passei pelo caminho tão sonhado do escritório próprio, dezenas de projetos executados, muitas participações em mostras de decoração, entre elas 3 Casa Cor. Me formei sonhando com isso! Era o que eu queria e me imaginava fazendo.

Lembra aquele ritmo insano que eu levava durante a faculdade? Pois é…continuou. Abri escritório, abri minha própria escola de softwares, me especializei em Design de Interiores, me tornei mestre em Arquitetura e Urbanismo, o que possibilitou me tornar professora universitária. Anos depois eu abri um estúdio de design.

Com o leque já bem aberto e experimentando de tudo resolvi fechar o escritório no ano que tiver maior número de projetos. Isso me dá tranquilidade e calma para dizer que fiz o que meu coração mandou naquele momento.

Criei coragem e me declarei empresária. Hoje estou à frente da Escola Desenhar e do Stark Studio. Já teria muito orgulho de parar por aqui. Mas… minha paixão por compartilhar experiências não me deixa fora da vida acadêmica. Sou professora nos cursos de Arquitetura e Design de Interiores no Centro Universitário UNA. Eu realmente sou apaixonada por compartilhar experiências. Isso me move. Por isso me dedico tanto a Escola Desenhar. Gosto de participar da formação de novos profissionais. Gosto de ajudar, tirar dúvidas, arrumar empregos, contar histórias…

Bom, essa sou eu. A Juliana da Desenhar. Minha história me ensina que às vezes o desespero bate mesmo. Me ensina que podemos mudar de ideia. Me ensina que quando a gente gosta e faz com vontade, dá certo.

A arquitetura é generosa

Isso tudo é pra dizer que o guarda-chuva é grande…bem grande…eu só tenho a agradecer a arquitetura por tamanha generosidade. Eu tenho amigos no patrimônio, na arquitetura hospitalar, comercial, residencial, interiores, mobiliário, prefeitura, sudecap, lojas, ou trabalhando em escritórios de terceiros…Seja qual for o caminho, saiba que não será fácil. Fácil não é. Sempre que penso: “está difícil”, uma voz interna me lembra: “se fosse fácil qualquer um faria”.  Ah é! Lembrei. Então posso te dar um conselho? Experimente. Aproveite. Descubra-se. E se quiser, mude.